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O polícia…



Tive este sonho há mais de 12 anos. Na altura, estava a tirar o curso, no Porto.
Sonhei que era de manhã cedo e ia atravessar uma avenida a caminho de casa. O sinal estava verde para os peões e amarelo para os carros que vinham de uma rua perpendicular. A ¾ da minha travessia surgiu, da rua perpendicular, uma carrinha branca que não parou na passadeira. Só tive tempo de dar um salto para a frente a fim de evitar ser atropelada.
Assustada, olhei para o passeio e vi, junto ao semáforo, um polícia que nem se apercebeu do ocorrido. Fui acordada pela minha colega de quarto, uma vez que eu estava muito agitada.
Nessa manhã, saí cedo para ir para as aulas. Não tive a primeira aula e como morava perto da escola decidi ir para casa. Para isso, tinha de atravessar uma avenida (a do sonho). O sinal ficou verde e iniciei a travessia. A ¾ da mesma avenida surgiu uma carrinha branca, vinda da rua perpendicular, que quase me atropelou não fosse eu ter saltado para a frente. Quando olhei para o passeio, não estava lá um polícia, mas um homem vestido de azul-marinho até ao boné…

Marlene Correia, Guimarães (Braga), Portugal

A avó de olhos azuis



Tinha cerca de 10 anos quando a minha avó materna faleceu. Apesar de ela ter vivido sempre numa aldeia próxima de Vila Real, e de só nas férias escolares de Verão ter o hábito de passar muito tempo com ela, a minha avó não fazia segredo de que eu era a sua neta preferida, e tínhamos uma ligação muito forte e especial.
Não me recordo de ter sonhado com ela nos anos imediatamente seguintes à sua morte, mas sei que quando tinha uns 16 ou 17 anos tive um sonho que me deixou a pensar, e ao qual nunca consegui dar uma interpretação lógica.
Pois se é certo que a minha avó viveu sempre em Mondim de Basto, e que poucas vezes veio ao Porto, no meu sonho ela vivia perto de minha casa e ia de autocarro visitar-me, regressando depois, também de autocarro, à casa dela, que no meu sonho (vá lá saber-se porquê…) ficava em Ermesinde, no concelho de Valongo.
Neste sonho a minha avó apareceu-me numa curva perto do início da minha rua, e tinha ao seu lado um enorme rato preto, do tamanho de um gato bem cheio! A minha avó tinha o seu sorriso, cândido e sereno, mas tinha também uma característica completamente diferente daquela que era a sua realidade: no meu sonho a minha avó tinha olhos muito azuis! O sonho consistiu apenas nisso: a minha avó, de olhos azuis, sorrindo e sem dizer palavra, numa curva do meu caminho, tendo ao lado um enorme rato preto. Recordo-me de ter acordado a transpirar, e de este sonho, e em particular os olhos azuis que a minha mente adormecida emprestou à minha avó, me terem assustado bastante…

Carla Teixeira, Porto (Porto), Portugal