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Calma! É apenas um sonho!


De regresso a casa, quando estava a preparar para entrar, dei conta de que tinha perdido a chave. Não podendo entrar em casa, via-me obrigada a dormir na rua.
Era de noite, fazia muito frio e pouco antes tinha chovido. Comecei a caminhar sem rumo e para tentar tranquilizar-me dizia: “Esta situação não é real, não estás a vivê-la, é apenas um sonho”.
Então decidi sentar-me num dos bancos que havia na rua e, ao fazê-lo, reagi subitamente… sim, a situação era real, o banco estava molhado, tinha-o sentido nitidamente. Não havia nenhuma dúvida, não se tratava de um sonho. E ao pensar que teria de passar a noite na rua invadiu-me uma grande angústia.
Então, de novo, fui abordada pelo mesmo pensamento. Dizia a mim própria: “Calma, esta situação não é real, não estás a vivê-la, é apenas um pesadelo”.
Sim, mas não podia tratar-se de um sonho… Sentia o vento na cara de uma forma tão real!
Foi então que despertei. Não sei exatamente se foi por causa da angústia ou do meu grande desejo em acordar para poder constatar que efetivamente tratava-se de um sonho.

María Giráldez, Tuy (Pontevedra), Espanha

Caminhando pelo ar



Tive um daqueles sonhos que me provocou uma sensação de perplexidade que durou todo o dia: caminhava pelo ar!
Sim, elevava-me na vertical e seguia caminhando pelo ar com a mesma facilidade com que andava pelo solo.
Mas isso não foi o mais desconcertante do sono. O mais incrível é que toda a gente se surpreendia com o facto de eu poder fazê-lo, enquanto eu não conseguia entender por que razão as outras pessoas não podiam fazer o mesmo. Para mim, era algo tão simples e natural como respirar, e insistia constantemente: todos nós podemos, apenas há que querer, só há que querer!
O divertido deste sonho é que consegui-o relacionar: a noite passada estive a ler sobre as potencialidades do lóbulo frontal (essa magnífica preciosidade do cérebro humano) e fiquei fascinada com tudo o que ele nos possibilita. Quando adormeci, percebe-se que transportei essa sedução – a que me suscitou o lóbulo frontal - para o mundo onírico de forma hiperbólica.
Durante todo o dia tive presente a sensação que experimentei no sonho.

María Giráldez, Tuy (Pontevedra), Espanha